Relato de Viagem ao Paraguay e Argentina

 Paulo Sergio Silva (Bombeiro) - SP    

 

Olá Drreiros desse Brasilzão!!! Em outubro último fiz uma trip com destino a Argentina, iria marcar presença Tupiniquim no IV Encuentro do Club Suzuki DR de Argentina. A princípio a idéia foi plantada por meu amigo Cristian Moleveld do Club hermano, mas não tinha tanta certeza que iria por tempo e platas e a gorda no estaleiro pra ajudar... Mas as coisas foram clareando e de uma hora pra outra... nos 45 do segundo tempo...vazei na braqueana!!! Coisa linda ver essa motoca na estrada...pelo menos a minha nasceu pra isso...para os  piores terrenos e os melhores lugares.

O primeiro dia foi difícil, o objetivo era chegar em Hernandarias no Paraguay pois meu amigo Guido me esperava, porém num capote incrível em Maringá-PR (as linhas tracejadas da pista acabou numa ridícula rotatória... um caminhão atrapalhando a visão e a noite...só deu tempo de escolher o canto pra cair...sorte minha deslizar na grama...sorte minha sair ileso...sorte minha danos mínimos...obrigado meu Deus!!!) A moto aterrissou engatada e no tranco violento os dentes da engrenagem da terceira marcha foi pro beleleu...fiquei sem a terceira. O medo era de que os fragmentos dela soltos no motor arrebentassem com o resto, mas eu cheguei no Paraguay e lá o pior me aguardava ou o melhor...sei lá...a coisa foi doida demais!!! Como comprei terreno, me atrasei e o Guido me aguardou na fronteira até 23h e eu cheguei a 1h. No outro dia fui comprar óleo para fazer a troca e ver se tinha pneu traseiro, mas o pneus pra DR lá é osso e os que tem são paia demais. Efetuada a troca fui dar partida e a moto negou fogo e ao sacar o cachimbo já vi que não tinha faísca...as bobinas moeram com os tais fragmentos...F...!!! E agora José??? No paraguay...a moto sem faísca...o tempo passando...danou-se!!! O Guido me tranquilizou e disse que elétrica de moto lá dáva-se um jeito. Com uma van levamos a bruta numa oficina de confiança dele e o mecânico, um cara que não tem uma perna e mesmo assim participa de competições de motocross, a oficina só tinha moto preparada pra trilha e a oficina bem fundo de quintal onde aproveitaram um antigo templo da Congregação Cristã do Paraguay com direito a piscina de batismo e tudo rsrs, o mecânico Vani disse que poderia solucionar o meu problema de duas formas...rebobinando tudo novamente porém sem garantia de durar tendo em vista um estator de 17 anos de uso e muito judiado, disse ele que a DR é uma das motos que mais esquenta o motor e nesse processo de expandir e retrair  poderia dar pau de novo, ou uma solução nova que era usar CDI de Honda CG 150 cc anulando as bobinas de força e faísca pq tudo seria eletrônico e acertando (atrasando) o ponto no ressalto do volante com solda e esmerilhadeira, a moto passou a ter uma faísca absurda e andando muito só que um pouco mais gastona, mas era o que tinha para o momento. Gostei do serviço e talvez isso possa ser algo relevante para muitos proprietários dessa bruta. Os paraguayos entendem muito de mecânica e gambitech, a molecada cresçe sendo incentivada a gostar de moto...sempre cruzam a fronteira pra participar de competições de motocross, supercroos e afins no Brasil. Eu vi moto chinesa 125 cc despinguelada na Ruta 6 deles a mais de 150 km/h...demorou pra eu deixar ela pequena no retrovisor.

Problema solucionado e a moto sem terceira, o que poderia eu fazer? Voltar pra casa e deprimido passar o resto das minhas férias contabilizando os prejuízos? Não mesmo!!!

Mendoza passou a ser o foco, chegar lá de qualquer forma nem que fosse com ela nas costas. Perdi o encontro mas não perdi a aventura e com essa gana de querer chegar lá a qualquer custo fui abraçado pela empatia do Club hermano. O presidente Gustavo de Paul, cientes dos meus perregues, me pediu que no caminho passasse na casa dele em Funes/ Rosario pq tinha algo para mim. No primeiro dia na Argentina tive que atravessar parte daquele forno de Missiones e vindo de Ciudad del Est/Encarnacion/Posadas consegui chegar a noite em Corrientes, onde pernoite no quartel de bombeiros da Argentina onde fui muito bem recepcionado pelos irmãos da labuta. No dia seguinte consegui chegar na sede do Club. Funes é uma cidade muito legal e lembra Alphaville. Na casa do presida, apesar dele e da esposa estarem cansados depois de retornar do encontro, foram muito receptivos e atenciosos comigo. Além de todos os mimos refentes ao encontro como vinhos, camisetas e troféu, o cara simplesmente abriu uma caixa de sapato cheia de engrenagens de DR e disse pra eu escolher a minha, fiquei pasmo!!! Que cara Fodástico!!! E foi mais além  mobilizou todo o club na Argentina pra me recepcionar por onde eu passasse. Tive a mesma recepção em Córdoba, onde fiquei na casa de Luis Taborda e tb conheçi o Roberto RDR Suzuki tb do club, de Córdoba consegui chegar em Mendoza a noite...1h rsrsrs, mas valeu a pena, esse caminho de Córdoba a Mendoza (Via Mina Clavero) é extasiante de lindo, o interior da Argentina é muito bonito, povo educado, e paisagens simplesmente show!!! Cheguei numa Mendoza com o céu limpo, tempo bom e com aroma de oliva na estrada, alguns km antes eu passei pelo portal de Mendoza onde literalmente vc é desinfetado kkkk é a preocupação dos caras em cuidar bem dos seus principais  produtos suponho...

Em Mendoza tive o prazer e a satisfação de conheçer Walter Garelli, membro do club, e com esse mendocino conheci o melhor de Mendoza, que é o povo, altos mates,altos jantares, altas conversas, altos passeios, altos asados, visita aos bomberos voluntários. Eu queria ver a neve e ele foi comigo, eu queria ao menos chegar em Uspallata quase divisa com o Chile e ele me levou mais além...no túnel que faz o limite entre os dois países a 3800m. Mendoza já não tinha mais nada, mas pra mim tinha tudo!!!

Essa viagem foi pra quebrar paradigmas... de achar que por ter uma moto considerada velha vc não pode se meter nessas bimbocas além Brasil...Guido disse uma frase no auge do meu perregue que me fez muito sentido (A DR não é uma máquina qualquer, Es una leyenda!!!)...de achar que só pq é o Paraguay vc estará no osso dos recursos emergênciais, nem a polícia dos caras me aborrreceu... de achar só pq é argentino vc tem que odiar, negativo, o argentino ama o povo brasileiro, no futebol eles são melhores...na modesta opinião deles, mas são muito simpáticos em todo canto da Argentina...brincaram comigo de Francisco era Argentino e num clima bem humorado eu disse que amava Francisco e que Deus era brasileiro kkkk todos riam.

Gente que eu nem sabia que existia, sabia da minha epopéia e quando eu estava nas cidades ficavam ávido em me conheçer...a isso soma-se várias rodadas de mate, vinho, breja e asado (Pensem em carne boa...tá lá)...

Descobri muito mais sobre essa moto e fiquei muito feliz como nunca  por causa de uma queda rsrsrs

Isso só me acrescenta como ser humano, como motociclista e como viajante. E se me jogo nessas aventuras consideras malucas e pq confio nesse corcel negro.

DR 800 na América do Sul...uma raça diferente!!!

 

Grande abraço a todos!!! Boas estradas!!!

 

Paulo Sergio

Bombeiro

Clube DR 800