Relato de viagem ao Paraná e Santa Catarina.

                                                                              Marcelo Moreira - SP

         Finalmente férias, início de março , tudo preparado para rodar com a “GORDUCHA” para o sul do nosso País.

Pela primeira vez em seis anos que fui viajar sem a minha esposa, que sempre me acompanhou em todas as nossas viagens “paciência”, fazer OK ?.

Como moro na “Móoca meu”, resolvi descer pela Imigrantes e pegar a Pde.Manoel da Nóbrega, estava uma manhã de primeira, regada há muito sol e calor intenso.

Pela primeira vez, estava testando o meu Rack para transportar prancha de surf em estrada.

Na verdade o produto ficou tão bom, que parecia que eu não estava carregando nada.

As 9:00hs da manhã estava tomando um café em uma padoca de Mongaguá.

A opção de ter ido pelas praias, foi muito interessante, pois a rodovia está muito boa e depois de Peruíbe o visual da serra da Juréia é muito legal, além de ter a vantagem de não pegar um dos piores trechos da Régis . A diferença de quilometragem entre ter ido pela Régis Bittencourt é de aproximadamente 60km (pelo menos para mim que moro na zona leste de Sampa).

Ao término da serra entre Peruíbe e Pedro Barros (39 km) peguei a Régis até a entrada de Jacupiranga que são mais 88 km.

O intuito de entrar em Jacupiranga era o de visitar a Caverna do Diabo, após passar pôr Jacupiranga têm a primeira opção de pegar a SP193 com asfalto razoável até Eldorado (24km) e mais 17 km até Itapeúna, que fica à 28 km da Caverna do Diabo, ou pode-se sair direto de Jacupiranga até Itapeúna pôr uma estrada de terra com 24 km (eu como adoro estrada de terra não tive escolha), está estrada é toda cascalhada e possui um belo visual .

Após Itapeúna, são mais 28 km de asfalto precário até a Caverna do Diabo, mas com uma paisagem compensadora.

A Caverna do Diabo possui mais de 10 km² de extensão, sendo somente 500 metros destinados à visita. O local têm um restaurante bacana com comida barata.

Para se retornar a BR 116 pôr Jacupiranga, teria de andar (na verdade, voltar) mais ou menos uns 70km, resolvi então seguir mais 33km de asfalto precário até Iporanga e a partir daí pega-se uma estrada de terra via Barra do Turvo, são aproximadamente 30 km de estrada de terra com alguns trechos sinuosos mas que vale muito a pena, pois o visual é alucinante. Em um trecho desta estrada o Rio do Turvo atravessa a estrada, este o local pede uma parada (parei ao lado de uma nascentes ao lado da estrada para tomar água).

Está estrada sai no meio da Serra do Mar, mais ou menos 16 km antes da divisa de Estado SP / PR e distante de Curitiba, aproximadamente 100 km.

Ao entrar na BR116, peguei uma puta chuva que não parou mais até Curitiba.

Após Curitiba peguei a BR376 sentido praia, antes da divisa de estado entre PR / SC, fui parado no meio da serra pela Polícia Federal Rodoviária, e como eu havia coberto a minha mala traseira (GIFT) com uma lona de material de construção, uma das setas ficou parcialmente encoberta e eles começaram a me encher o saco, informei então que iria retirar a lona para poder prosseguir. A chuva começou a apertar e um dos guardas pediu somente para eu prender a parte da lona que estava obstruindo e me deixou prosseguir.

A chuva foi parando e já eram mais ou menos umas 9:00hs da noite, resolvi então entrar em S.Francisco do Sul – SC passando por Joinville.

Mais conhecida como S.Chico do Sul, a cidade mantém conservada sua arquitetura colonial. Acabei ficando no centro histórico da cidade, ao invés de ficar nas praias, pois além de ser mais barato (Pousada central R$20,00 reais), fica mais perto de tudo.

 

 

Em São Francisco do Sul, vale a pena conhecer o Museu do Mar, que fica nas ruas do centro histórico, além das bonitas praias da região (Prainha, Ubatuba e Praia Grande), que estão localizadas há aproximadamente 15 km do centro histórico.

Neste dia o tempo estava nublado e a previsão era de mais chuva para os próximos 5 dias.

Saindo de S.Chico do Sul o meu destino era Balneário de Camboriú, pois minha família têm um apartamento na rua 2000, bem no centro da cidade.

Rodei aproximadamente mais uns 40km até a BR101 que começa na divisa de estado entre PR e SC e da  BR101 rodei mais uns 30km e entrei para Barra Velha - SC, está estrada é praticamente de frente a praia. Passei pôr Pedra Branca, Itajubá, Piçarras, Penha, Armação, Gravata e Navegantes (o total deste trecho é de 38km).

Saindo de Navegantes é inevitável passar em frente ao Beto Carreiro Word (uma puta estrutura regado á vários ônibus de turismo lotados), tirei uma foto e prossegui, pois tinha de rodar mais 70 km até Blumenau para poder pegar a chave do apartamento de Balneário, isto,  na casa da minha tia (todo o trecho com muita chuva).

Após tomar um café no escritório da tiazona resolvi pegar estrada à noite mesmo com destino a Balneário de Camboriú, foram mais uns 63 km, pois fui pôr Gaspar e Ilhota (cidades muito simpáticas).

Fiquei uma semana em Balneário, muitas pessoas já conhecem esta bela cidade, mas para quem não conhece seguem algumas dicas:

-          Cristo Redentor: belo visual da cidade, paga-se R$10,00 reais pôr pessoa e o turista pode desfrutar de um ótimo restaurante com música ao vivo.

-          Passeio de bondinho, saindo do lado sul de Balneário indo até a praia de Laranjeiras, o passeio sai pôr R$20,00 reais a cabeça (achei muito caro o preço, mais no preço estão inclusos, uma parada no mirante com área de lazer, esportes radicais como rapel, Shooping Center entre outras).

O turista passa o dia inteiro na praia de laranjeiras e retorna (via – bonde) para Balneário, isto no horário que bem entender.

-          A barraca do Gil (entrada da Praia de Laranjeiras), o cara é muito hospitaleiro e já teve    

      algumas Chooper’s, vale a pena conferir quando for de moto, pois além de deixar a

      GORDUCHA no estacionamento do cara, toma-se uma gelada de lata (Skol), pôr 1,50

       somente para os brother’s.

-          Inter-Praias: rodovia com cerca de 15km passando pôr Laranjeiras, Estaleiro,   

      Estaleirinho, Praia do Pinho (praia de nudismo, paga-se R$5,00 reais a entrada e

      pode descer até o restaurante, no percurso e no restaurante não é necessário tirar a   

      roupa, mas se quiser pegar uma praia....., só PELADÃO, tô fora, pois a praia estava       

      cheio de BIBA’S).

-          Uai, Pingüim são alguns bares na avenida Atlântica que funcionam até tarde ou as

      várias opções de danceterias que funcionam a partir de sexta-feira.

 

Nesta semana que estive em Balneário de Camboriú, peguei a inter praias com destino a Itapema, Bombinhas, Quatro Ilhas (surfei o dia inteiro, altas ondas) e Porto Belo, são praias maravilhosas e impossíveis de não serem visitadas, possui uma forte infra-estrutura no que se diz respeito à mergulho, pois as suas águas são cristalinas e calmas, passei alguns dias nestes paraísos, além de as vezes ir para a Praia dos Amores e Praia Brava sentido Itajaí.

   

Em um dos dias em que estava surfando na Praia Brava, fui abordado pôr um cara muito legal que avistou a GORDUCHA de longe, era o Luís Felipe Lepettier (integrante do Clube DR800), trocamos algumas idéias, ele me deixou um cartão e foi embora, pois estava com seus pais).

Passei o dia inteiro na praia e quando fui ligar a GORDUCHA, ela não dava nem sinal, eu sabia que era o trambulador que não estava retornando, forcei um pouco mais e acabei ficando com pouca bateria para fazer a GORDUCHA pegar. O que fazer agora?, não conheço ninguém, OPS, parece coisa de Anjo da Guarda e só me restou ligar para o Lepettier. Não deu outra, passaram-se 20 minutos e o brother apareceu.

Eu sempre carrego comigo um cabo de ponte (chupeta), fizemos a ligação e a moto pegou, registrei com uma foto este momento e ficamos trocando algumas idéias até anoitecer (valeu Lepettier!!!).  

Após ter ficado uma semana em Balneário, segui viagem com destino a Guarda do Embaú – SC, entrei na BR101 e rodei aproximadamente 50km até a entrada para Governador Celso Ramos ( distante 50km antes de Florianópolis), um lugarejo simples e muito bonito (são 17km entre a cidade e a BR101), possui praias lindas e completamente desertas.

Existe uma opção de retorno entre Governador Celso Ramos e a BR101, esta opção é pôr uma estrada de areião misturado com terra, são mais ou menos uns 30km (vocês podem imaginar qual foi a minha opção de retorno), o visual é deslumbrante, passa-se pôr Palmas, Armação da Piedade, Costeira da Armação (este local é dentro da Área de Proteção Ambiental de Anhatomirim, o lugar é muito louco), chegando finalmente em Areias de Baixo (2km da BR101 e da civilização).

Entrei em Floripa e fui direto para o lado Norte da Ilha (queria surfar), Joaquina, Praia Mole e Campeche, foi um dia de muito sol e altas ondas, no final do dia estava quebrado de sol e surf e resolvi ir embora para a Guarda (adoro Floripa, mas já conheço bastante está cidade e queria mais tranqüilidade ).

Chegando na Guarda do Embaú , fui direto para a Pousada do Alex (localizada em frente ao restaurante da Maria Eduarda).

Como já era final de temporada, paguei a pequena bagatela de R$15,00 reais a diária, foram 3 diárias. O restaurante da Maria Eduarda, fica em frente a pousada e oferece ótimas opções de culinária, além das inúmeras receitas à base de peixe (gasto médio com bebida R$12,00 reais), existe a opção do prato feito à R$ 7,00 reais.

A Guarda é um lugar diferente, pois para se chegar a praia principal é necessário uma travessia pôr dentro de um rio (pode-se se ir a pé com a água batendo no máximo na altura do peito, ou com pequenos barquinhos remados pôr caiçaras pescadores da região / R$ 1,00 real pôr pessoa e pôr trajeto).

Está não é a única opção de acesso à praia, pois existe uma trilha beirando uma pequena encosta que dá acesso.

O lugar nesta época é vazio (parece que só existia eu e mais uma meia dúzia de gatos pingados), o tempo ainda não tinha firmado no primeiro dia, resolvi então subir na Pedra do Urubu, localizado ao lado da Vila da Guarda, são 45 minutos de caminhada até o seu topo.

No final da caminhada (próximo ao topo), necessita-se mais cautela, pois o grau de dificuldade fica maior. Para se atingir o pico mais alto é necessário escalar uma pedra apoiando as costas em uma palmeira (tudo a beira de um buraco),e ai sim, finalmente o topo, altas fotos, mesmo com o tempo fechado deu para aproveitar o visual. Alguns momentos de reflexão e finalmente a descida, “pra descer todo santo ajuda “.

   

Ao norte da Guarda existem algumas opções de praias com a da Pinheira, Praia de Baixo e Praia de Cima, que são uma boa opção noturna, pois pelo menos existem restaurantes abertos.

Final de tarde resolvi dar a primeira lavada na GORDUCHA, além de lubrificação de corrente e troca de óleo e filtro, tudo feito na pousada do Alex (o cara me disponibilizou um balde com sabão e pano limpo), vale à pena ficar lá.

No dia seguinte o sol estava trincando, um dia maravilhoso, tudo arrumado já bem cedo, pois era o dia em que iria para Urubici –SC (região de São Joaquim / Serras Catarinenses / Serra do  Corvo Branco e Serra do Rio do Rastro).

Antes de sair da Guarda fui dar uma última conferida na praia, o sol estava intenso e não haviam nem sinais de nuvens pôr perto, a praia estava deserta e estava rolando altas ondas, neste momento quase abandonei o dia de viagem, fiquei ali meditando pôr alguns minutos e decidi pegar estrada, afinal já vinha surfando há vários dias, mas não com o sol que saiu neste dia.

Saindo da Guarda voltei sentido Floripa (25 Km) até Arariu Formiga, único trecho da BR 101, peguei a BR 282 sentido a Águas Mornas (são mais 16 Km), nesta cidade existem nascentes de água com temperaturas variando entre 23° e 25° C graus.

Parei em cima de uma ponte para tirar uma foto e fui abordado pôr um nativo catarinense que ficou encantado com a moto, inclusive foi este senhor que me forneceu as informações referentes as temperaturas das águas da região, trocamos algumas idéias e segui viagem.

Este trecho da BR 282 passando pôr Águas Mornas e finalizando em Riacho Queimado, que são mais 26 Km , é realizado em volta do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, um visual alucinante.

Após Riacho Queimado, segui sentido Alfredo Wagner (mais 46 Km), neste trecho entrei em um Mirante ao lado esquerdo da estrada que é muito alto, só havia eu e um cachorro que me olhava meio assustado, registrei-o com uma foto e fiz uma outra foto parecida com uma foto do Chârdo em cima da moto, preparei o tímer no tripé e parti, ficou bem legal. Neste percurso rodava no máximo há 80 km/h, pois as estradas iam ficando cada vez mais bonitas.

Saindo de Alfredo Wagner são mais 60 Km até Urubici, no caminho algumas placas indicando “gelo na pista”, achei aquilo muito louco, pois estamos no Brasil. Cheguei em Urubici pôr volta das 13 horas e me hospedei na Pousada das Flores na via principal, diárias à R$25,00 reais, com ar, TV e um belo café da manhã colonial.

Deixei as coisas na pousada e fui almoçar. Na avenida Adolfo Konder há algumas opções de pastelarias a restaurantes, passando pôr padarias. O mais movimentado é o Zeca's Bar (lanchonete, restaurante e pizzaria - (0xx49) 278-4501). R$ 7 o "buffet livre" (comum na região sul do país) - sirva-se o quanto quiser pelo valor fixo (alguns estabelecimentos "controlam" apenas as carnes - bovina, frango, suína...).
Se está em uma pousada que não oferece café da manhã ou quer matar aquela fome repentina, a Padaria e Lanchonete Panikoch (0xx49 278-4872) é uma boa opção, também fica na Adolfo Konder.
Logo na entrada da cidade há o A Taberna. Em ambiente aconchegante e com aquecedor, serve foundues e sopas, ideais para as noites frias de Urubici. Os
preços são para quem está com uma certa folga no orçamento. Fica na Av. Pref. Natal Zilli, 3330. Tel: 0xx49 278-5121.

   

Após o almoço fui conhecer as inscrições rupestres (5Km do centro, estrada para São Joaquim) , estudiosos dizem que datam de mais de 4000 anos. Santa Catarina possui ricos elementos do tipo em Florianópolis (em várias partes da ilha, sobretudo na ilha do Campeche), União da Vitória (na divisa com o Paraná) e em Urubici.

A Cachoeira do Avental fica bem próximo as inscrições rupestres, possui 100 metros de queda d’água. Deixa-se a moto largada e caminha-se mata a dentro pôr uns 15 minutos, naquele momento fiquei um pouco cabreiro em deixar a moto sozinha, mas para quem vive em São Paulo, aquele local não transmitia nenhum medo e vale à pena conferir, pois a queda de água é muito alta.

Retornei a cidade de Uribici ainda eram 16 horas e como só iria fazer o percurso de terra pelas serras no dia seguinte, resolvi ir conhecer o Morro da Cruz.

Para quem chega em Urubici pôr Águas Brancas entra-se a esquerda no trevo principal (posto de gasolina) e anda-se mais ou menos uns 15 km, o Morro da Cruz é muito parecido com o Morro da Igreja (possui uma pedra furada), sendo possível visualizá-la de longe e possui uma cruz fincada bem no centro da pedra. Ao chegar no local fui abordado pôr um casal de senhores bem velhinhos, me dizendo que eu teria de contribuir com uma taxa de turismo de R$1,00 real, falei que era muito caro (brincadeira dei 5 pilas para os dois que expressaram uma gratidão sem tamanho)

A estrada até o meio do morro dá pra subir naquelas, se vacilar nas curvinhas fechadas e tentar achar o chão, dança.....

O visual é muito lindo e depois do meio do morro, só a pé, deixei a GORDUCHA sozinha mais uma vez e fui até o topo, tirei várias fotos e só desci de lá no final da tarde.

No dia seguinte amanheceu chovendo muito, acordei as 7 horas, um puta frio, tomei um café reforçado e não tive escolha, peguei a estrada de terra sentido a Serra do Corvo Branco, não podia mais esperar, coloquei as capas e sai com bem pouca bagagem. O restante da bagagem ficou na pousada, eu combinei com a dona que só retiraria o as bagagens no final do dia e como a pousada estava vazia, ela concordou.

Saindo de Urubici o caminho é mais tranqüilo, chão batido e bem cascalhado. Após rodar uns 5 km parei em frente a uma igreja amarela, fica bem na entrada para a gruta N.Senhora de Lourdes (a placa informava: 200metros para a gruta, 9 km para a cachoeira véu de noiva, 19 km para a entrada do morro da igreja e os mesmos 19 km para o início da Serra do Corvo Branco).

A partir da igreja a coisa foi ficando preta, o barro cada vez mais fofo fazia a GORDUCHA dançar de um lado para o outro (estava com dois pneus Michelin SIRAC, que no meu consenso são muito bons, só resta saber como serão a sua durabilidade), pôr um instante quase desisti, mas já me veio na cabeça aquele lance de “vai amarelar?”, e segui firme pela empreitada.

Na entrada para o morro da igreja têm uma casa bem no entroncamento, perguntei para umas colonas sobre a distância até o final do morro e fui informado de são aproximadamente mais uns 16 km, estrada toda asfaltada. Ao começar a subir a serra (mais ou menos no km 03), o tempo fechou totalmente (chuva e neblina forte), foi quando percebi que não seria desta vez que iria conhecer o tão famoso morro da igreja (fica para a próxima).

Após descer o morro, retornei para a estrada de terra, a distância para se chegar ao início da Serra do Corvo Branco são de aproximadamente uns 800 metros, neste trecho havia um caminhão e uma caminhonete atolados na beira da estrada e o barro era bastante.

Fiquei parado pôr alguns instantes, só esperando para ver se iria passar alguém pôr ali, após uns 10 minutos, um palio passou acelerando pelo trecho e pôr pouco não deu uma porrada no caminhão que estava atolado, foi quando criei coragem em prosseguir bem devagar e com muita cautela, pois os pés ficavam mais no chão do que nos pedais.

 

Após este trecho a viagem ficou mais tranqüila, ao chegar na parte mais alta da Serra do Corvo Branco , abre-se uma fenda no meio da estrada (muito louco !!!!), parei para registrar algumas fotos e meditar.

O trecho de terra após Urubici é de aproximadamente uns 70 km, passando pôr vilarejos e Distritos com Santa Terezinha (6 km), São José (9 km mais 3km após sair da estrada principal), São Pedro (16 km), Auierê (46 km), Capivaras do Meio (50km), Ilha Grande (56 km) e Grão Pará (70 km), após este trecho, chega-se ao asfalto.

Para se completar esta volta toda roda-se quase 300 km, pois passei por Braço do Norte, São Ludgero, Lauro Muller , Guatá, Serra do Rio do Rastro (está serra é maravilhosa,  muitos dos integrantes do “Clube DR 800”  já à conhecem, mas para os que não conhecem, este passeio é imperdível), Bom Jardim da Serra, Rio Porteira, Mantiqueira, Cruzeiro, Pericó, Lajeado Liso, Vacas Gordas, São Cristóvão e finalmente de Volta a Urubici.

Cheguei à Urubici pôr volta das 15 horas, tomei um banho arrumei as malas e peguei estrada rumo a Balneário de Camboriú. Após Águas Mornas eu peguei uma chuva indescritível, pois foi a mais intensa nos meus 20 anos de motociclista, quando entrei na BR 101, os ventos laterais eram muito intensos e como estava carregando uma prancha de surf, fiquei bastante atento, mas não parei (hoje penso que deveria ter parado), pois estava todo molhado e não tinha capa de chuva que resistisse tanta chuva, no dia seguinte pude constatar várias cidades destruídas no litoral de Santa Catarina.

Fiquei em Balneário, pôr mais alguns dias de muito sol e várias cerjas.

A volta para São Paulo foi em um único dia, segui de Balneário para Garuva (mais ou menos uns 130 km), de Garuva peguei a BR rumo a Guaratuba (litoral do Paraná), está estrada é muito simpática e possui retas longas, aproveitei para dar uma aceleradinha (apesar de estar transportando uma prancha de surf, consigo andar bem á uns 140km/h), foi quando uma viatura da Polícia Federal Rodoviária, me abordou fazendo sinal para encostar, no momento em que eu avistei a viatura parada, consegui dar uma diminuída.

O guarda ficou abismado com a quantidade de coisas que estava carregando, conferiu a documentação e me deixou prosseguir (ainda bem que não falou da velocidade).

Cruzei a divisa de Estado entre SC / PR e chegando em Guaratuba-PR, parei para tomar uma cervejinha e tirar umas fotos. De Guaratuba para Caiobá pega-se uma balsa para a travessia do canal, o percurso é curto (mais ou menos uns 20 minutos).

Parece coincidência mais não dá para acreditar, quando estacionei a minha GORDUCHA dentro da Ferry Boat, ficou uma vaga ao lado disponível e não deu outra, estacionou a viatura da Polícia Rodoviária que havia me para anteriormente, resumindo, fiquei amigo dos caras e de mais um motoqueiro que pegou a balsa junto conosco (tudo registrado).

Passei direto pôr Caiobá e segui direto para o Pico de Matinhos (pico do surf, pra quem conhece), rolam uma direitas em cima de uma laje de pedras atrás do morro, conheci uns caiçaras e fui para o Mar, peguei altas ondas até o horário do almoço e prossegui pela PR 508, mais conhecida como Praias (pista dupla).

Os próprios policias haviam me dito que neste trecho da rodovia (Matinhos / até o entroncamento com a BR 277), existem uma séries de costelas longas em um asfalto zerado que daria vontade de acelerar e os meus brother’s que havia conhecido em Matinhos também me confirmaram a existência destas costelas, não tive dúvida na escolha e acelerei (as costelas existem mesmo, e como a moto estava carregada, deu para senti-las na suspensão da GORDUCHA).

A outra opção era de ir pelas praias, seguindo para Praia de Leste e depois retornar para a BR 277 (neste caminho o número de lombadas e trechos urbanos, são muitos).

   

Ao entrar na BR 277 que une Paranaguá à Curitiba me deparei com o protesto dos caminhoneiros que trabalham com transporte de grãos para o Porto de Paranaguá, a via que desce, estava totalmente interditada pelos caminhoneiros (caminhões parados de atravessado na pista), os caras todos jogando baralho, tomando todas, o comércio local em alta e quem tem de chegar a Paranaguá ou ter acesso ao Litoral Paranaense dança....

Como eu estava subindo não tive problemas, só apreciava de camarote a bagunça, rodei apenas mais 14 km na BR 277 e entrei a direita sentido Morretes. Esta estrada é show de bola, um visual meio “el gringo”, com a Serra da Graciosa crescendo a medida que se acelerava mais.

O trecho da BR 277 até Morretes tem aproximadamente uns 10 km, pode-se rodar mais 10 km e dar um pulo até Antonina ou até mesmo fazer o passeio pôr dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, que são aproximadamente 95 km de ida, partindo de Morretes , sendo 75 destes, em estrada de terra.

Almocei no centro de Morretes na beira de um rio, um belo lugar cercado de uma linda paisagem. É tradição da cidade o famoso “barreado” (um cozido de carne que demora 24 horas para ficar pronto), infelizmente para muitos ou felizmente para mim, não como carne, resolvi então provar uma bela truta assada.

Após o almoço, dei uma volta pelo centro histórico da cidade para tirar algumas fotos e resolvi me preparar para pegar estrada.

Já eram umas 3 horas da tarde quando resolvi sair, foram mais 13 km até a cidade de São João da Graciosa, que fica bem no pé da Serra da Graciosa, muitos já conhecem este pico e eu particularmente, não canso de subir e descer aquele lugar.

A serra é toda florida em seus acostamentos e dos seus 20 km de extensão, 15 são em pedras parecidas com paralelepípedo, pôr isso dependendo o estado do tempo, tem que se tomar bastante cuidado, pois este piso fica bastante liso.

Parei em umas das várias barracas que se encontram as margens da estrada para tomar um suco de milho e tirar algumas fotos (no percurso existem alguns mirantes com belos visuais).

Entrei na BR 116 as 17 horas e fui chegar em São Paulo pôr volta das 21 horas, o trecho da BR em que eu havia falado mal no início deste relato, se comprovaram, pois está péssimo.

Acredito ter contribuído de alguma forma neste pequeno relato, para os amantes das BIG TRAIL’S.

  Marcelo Moreira

Fotos da viagem